A oficina de teatro "E tu Camões, não dizes nada?" esteve na Escola Profissional do Vale do Tejo (EPVT), nos dias 20 e 21 de fevereiro.

Os atores Graeme Pulleyn e Fernando Giestas trouxeram esta oficina de teatro, dirigida aos alunos de 10.º ano de todos os cursos profissionais da EPVT, no âmbito da disciplina de Português e, mais especificamente, relacionado com o estudo de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões.

Durante a oficina, os alunos tiveram não só oportunidade de escutar e dizer algumas estrofes da grande epopeia lusitana, mas também de lá descobrir caminhos e ideais, a partir dos quais discutiram e fizeram escolhas, numa viagem teatral que os fez ultrapassar dificuldades, transformar em Boa Esperança as Tormentas, para chegarem, finalmente, à Índia.

A referida oficina de teatro chegou à EPVT com o apoio do Município de Santarém, da Santarém Cultura e do Teatro Sá da Bandeira e, está incluída na programação cultural da cidade.

 

 

"Ler Lusíadas sem preocupação de saber que estamos a ler um poema épico que tem 10 cantos com estrofes de oito versos, com dez sílabas cada verso, blábláblá blábláblá; que tem proposição, invocação, dedicatória e blábláblá blábláblá, ah e a famosa narração in medias res, blábláblá blábláblá.

Já sabemos isso tudo. Aprendemos na escola. Está aprendido. Agora falta ler Os Lusíadas como se lê um livro. Ler em voz alta. Abrindo, lendo e ouvindo. Pelo prazer de escutar os sons, os ritmos, as emoções, pelo prazer de sentir as palavras na boca, de as saborear, mastigar, cuspir, blábláblá blábláblá.

Ou, citando António José Saraiva, [Os Lusíadas] “é um livro para ser entoado por recitadores, e não analisado por gramáticos. Por vezes interessa pouco o que ele diz, e vale só a língua sonora que percorre os vários graus da escala, uma palavra que esplende, um som rouco de queixa ou um gesto teatral que se entrevê.” *

Sofia Romão, Professora, Escola Básica Infante D. Henrique

*em Estudos sobre a arte d’Os Lusíadas

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